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Idoso sim, incapaz no

27/04/2010

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por Raphael Ramirez

Segundo o dicionário, a definição da palavra ‘preconceito’ significa “conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério; superstição; prejuízo; erro”. E a nossa sociedade convive com diversos tipos de preconceito, como por exemplo em relação aos negros, homossexuais ou estrangeiros. Mas uma outra forma desse estilo de comportamento é cada vez mais observada - mas nem por isso discutida: o etaísmo.

O termo significa o preconceito em relação às faixas etária, e nota-se atualmente muito preconceito com os idosos. Quem confirma isso é o psicólogo e gerontólogo Guilherme Falcão. “Isso a gente vê nos programas de humor, nas novelas, no dia a dia. Por exemplo, as filas de banco: eu vejo muita gente de cara feia por causa da fila dos idosos”, exemplifica.

“Mas o que a gente vê por exemplo, a questão de preconceito: tá uma casal se amassando em uma praça, ninguém olha. Mas se tiver dois idosos, de mãozinha dada, dando um beijinho, já é preconceito. Já falam 'que velhinhos assanhados'. É na sexualidade, é no espaço da família, em locais como bancos”, diz Falcão.

Equívocos no mercado de trabalho

O psicólogo reafirma os preconceitos em relação aos idosos em um determinado setor da sociedade: o profissional. Muitas vezes, com o avanço da idade, as portas das empresas só se fecham frente aos profissionais. “Porque eles se tornam, nessa época, melhores funcionários? Primeiro, eles levam a sério. Segundo, ali é um salário adicional à aposentadoria. Terceiro, eles estão ali porque gostam de estar ali. Recebem, estão em contato com pessoas”, analisa.

E essa ligação entre a pessoa e uma profissão contribui para a idéia errônea: aposentados são velhos e pessoas que ainda trabalham não são. “Veja bem, o Lula é idoso, ele tem 63 anos, mas ninguém diz que ele é idoso, porque é o Presidente da República. A gente vê diversas pessoas na ativa ainda, como o (Roberto) Requião e o José de Alencar, mas eles ninguém vê como idosos. É um preconceito social”, conclui Falcão.

Quando o preconceito começa na própria pessoa

Guilherme Falcão comenta também uma atitude freqüente nos próprios idosos: o auto preconceito. Ela consiste quando o idoso começa a se sentir incapaz, fraco ou feio, quando na verdade está apenas envelhecendo. “O problema começa muitas vezes com o corpo, principalmente a mulher. O corpo dela está envelhecendo, e ela fica naquela batalha para não envelhecer, como se isso fosse possível. A aceitação do corpo é uma coisa que a gente vai formando criança, adolescente, jovem, adulto, à medida que a gente vai gostando do corpo, aceitando, a gente vai envelhecendo naturalmente”.

E para o psicólogo, tudo depende da simples aceitação da própria realidade: o corpo fica limitado, mas não incapacitado. “O auto preconceito, a partir do corpo, surge de cada um, da história de cada um. Segunda coisa: o preconceito porque tá com idade x, e a mente tá a mil, não consegue acompanhar, é uma aceitação das limitações da vida. Se a gente for envelhece, aceitando as limitações da vida, a gente vai vivendo muito bem”.

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