Por Onde Anda - Carlos Romeu Tramontin

18/09/2018

clique para aumentar
ou diminuir o texto

* Texto publicado originalmente em nosso jornal Fator A, edição 29, de setembro de 2013
Edição: Raphael Ramirez


Nasci no dia 16 de janeiro de 1943, na querida Quatiguá, norte pioneiro do Paraná. Minha infância foi muito simples, como a de todos na época nas cidades do interior, jogar bola, pião, bolinha de gude e carrinho de rolimã eram os nossos passatempos. Aos seis anos fui para a escola fazer o primário no Grupo Escolar de Quatiguá.

Na escola convivi com conterrâneos que depois se tornariam destacados Bamerindianos: Ademar Zanini, Leonardo Bonardi, Lourenço Valle, Jorge Valle, Anselmo Santos Diceró. Aos 14 anos ingressei no ginásio e frequentava as aulas à noite, pois durante o dia ajudava meu pai e irmãos mais velhos nos trabalhos do sítio. Assim concluí o ginásio e o curso técnico em contabilidade, no Ginásio Estadual Segismundo Antunes Netto, já trabalhando no Banco, em Siqueira Campos, onde ingressei na agência 028, no dia 20 de janeiro de 1960, levado por meu irmão, Remy, que na época já era gerente do Bamerindus.

Comecei trabalhando nas contas correntes, que na época era feito à mão; passei pela carteira de descontos/cobranças, caixa, balancete e fazia à mão o livro “Diário” que, pouca gente sabe, a cada fechamento de semestre era levado ao Juiz de Direito da Comarca para apor sua assinatura atestando o fechamento e que tudo estava correto.

Em outubro de 1963 fui indicado pelo sr. Délcio Araújo, meu primeiro inspetor regional - depois gerente regional - para contador da agência em Marechal Cândido Rondon. No inicio de 64 fui designado para abrir a agência de São Mateus do Sul, como chefe de serviços, que ocorreu no dia 29 de abril, com a presença do Sr. Avelino, Dr. Otto Mader, Anacleto T. Carli e Sr. Atride Baggio. Nesta agência fui responsável pela admissão dos colegas Pedro Ivo Polak e Altemir Gugelmin, que se destacaram como dedicados e competentes profissionais no Banco. Em Julho de 1965 fui transferido de volta para Siqueira Campos pelo “Seo” Edson, como contador, e em 23 de outubro de 1966 fui provido a gerente de agência em Siqueira Campos, tendo recebido a agência do grande amigo, orientador e conselheiro Marco Baggio Netto, por quem nutro grande respeito e consideração. Em setembro de 1968 fui transferido como gerente para a agência de Carlópolis e, na sequencia, ainda passei por Joaquim Távora (70), Cambará (71), Cornélio Procópio (75), Apucarana (78), Cinelândia (81), Foz do Iguaçu (81) e Cuiabá (83). Em junho de 1983 fui para a agência Centro Cuiabá-MT. Em outubro de 1984 fui promovido a gerente regional para o estado de Mato Grosso e em 1991 transferido para a regional de Campo Grande (MS).

Neste ano enfrentei problemas de saúde, acidente grave com um de meus familiares, e isso me desgastou muito; no inicio de 92 fui até o presidente, Sr. José Eduardo, para solicitar minha aposentadoria, que me foi negada, sendo-me oferecida uma proposta: Seu Zé disse que o banco havia adquirido a Lagoa da Serra Inseminação Artificial, em Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, e gostaria de implantar uma administração com a cara do Bamerindus. Como eu era o mais caipira dos diretores, e bastante identificado com os pecuaristas pela minha origem interiorana e passagem por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde a pecuária é bastante desenvolvida. Um grande desafio, pois tinha trabalhado toda a minha vida somente no banco; era uma atividade desconhecida para mim, aceitei e graças a Deus, no primeiro ano saneamos a empresa e, já no segundo, apresentava resultados bastante positivos.

Durante mais de 37 anos de Bamerindus muitas pessoas marcaram minha carreira. Ainda menino com 17 anos, meu irmão, Remy, era um exemplo a ser seguido; Srs. Bráulio Tocalino e Délcio Araujo, primeiros inspetores regionais que me transmitiram ensinamentos fundamentais na minha formação e comportamento. Mais tarde foram os Srs Etelvino Narciso Marca, Luciano Bergstein, Aramys C. Fernandes, Raul Jacob Brenner, Jair Mocelin e Antonio Zanini, por acreditarem e confiarem na minha capacidade de trabalho.

A aposentadoria do ”único” emprego que tive, o Banco, ocorreu em abril de 1997, após 37 anos e 3 meses de muita luta, com a consciência do dever cumprido e orgulho de haver trabalhado por tanto tempo no banco da nossa terra, o banco da nossa vida. Aposentei-me do Banco, mas não deixei de trabalhar um dia sequer, exceto 2 vezes por ano, durante 5 dias, quando me dedico à pesca esportiva. No final de 1998 iniciamos as atividades de uma empresa de factoring e, no inicio de 2001, adquiri junto ao meu cunhado, Carlos de Brito (também Bamerindiano), o controle da Quimiart, empresa de fabrico de domissanitários, na linha institucional. Entre essas atividades dispendo minhas energias, passo meu tempo com muita alegria e bom humor.

Tenho acompanhado de perto as atividades da Apabam, sob a regência de abnegados Bamerindianos que lutaram e lutam para que prevaleçam os direitos de todos. O relacionamento entre Bamerindianos é algo incomum em outras empresas, prova disso verificamos por ocasião do Primeiro Encontro no Clube de Campo Avelino Vieira, onde após 16 anos, se juntaram mais de 300 ex-funcionários. A ligação entre nós transcende simplesmente o “ser colega de trabalho”, e isso devemos à filosofia Bamerindus, legado de nosso grande líder Sr Avelino Vieira.

Me casei com a Léia no dia 12 de junho de 1964, companheira de todas as horas, incentivadora e meu porto seguro nas turbulências e tempestades. Nesses quase 50 anos, tivemos duas filhas, Adriana, casada com Ângelo Druzian, residem em Cuiabá, com dois netos Annelise e Carlos Romeu, e Andréa, casada com Marco Usso, residem em Apucarana, com dois netos, Anna Beatriz e Marcos Vinicius.

Agradeço sempre a Deus pela família de onde vim, pela família que constitui, pela saúde, pelos amigos que encontrei, pelo trabalho que tive e tenho, pelas dificuldades que tive e que serviram para meu crescimento como ser humano.

Veja outras entrevistas Por Onde Anda:

Cadastre seu email e receba nosso informativo

Voluntários da Pátria, 475 22ºandar | sala 2211 | 80020-926 | Fones: (41) 3232 4821 |  (41) 3521 5460