Por Onde Anda - Paulo Csar Ferreira de Castro

13/12/2018

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* Texto publicado originalmente em nosso jornal Fator A, edição 42, de dezembro de 2018
Edição: Raphael Ramirez

Comecei na matriz da Bamerindus Seguros, na Vila Hauer em Curitiba, em 21 de março de 1977. Eu tinha apenas 15 anos de idade e estava cursando o 1º ano do 2º grau, curso técnico de administração, em colégio público. Quem me indicou fazer teste no Bamerindus foi uma amiga do colégio. Passei no teste psicológico e “arrasei” no teste de datilografia. Eu era “fera” em datilografia, habilidade muito importante na época. Depois fiz os exames médicos. Foi tudo muito rápido, em menos de 1 mês eu já estava trabalhando. Fui admitido como “contínuo”, um nome bonito dado para o cargo de office boy.

O meu primeiro chefe foi o Luiz Waldemar Portela, gerente do departamento chamado “CD” (Controle da Dados). Tenho muito carinho até hoje pelo “seu” Portela, que foi na verdade um segundo pai para mim. O presidente da Seguradora era o Sr. Hamilcar Pizzatto e o diretor Administrativo e Financeiro era o Sr. Paulo Branco Pereira. Eram os dois homens fortes da empresa. O Pizzatto era um ídolo para mim, eu admirava muito a postura e os discursos dele nas reuniões de funcionários.

Eu fui um sortudo na minha carreira dentro do Bamerindus, sempre trabalhei na Seguradora e fiquei praticamente toda a minha vida na Vila Hauer, muito próximo de onde eu morava. Trabalhei alguns anos no Palácio Avenida, por ocasião da chegada do HSBC no Brasil, mas depois voltamos para a Vila Hauer, onde me aposentei em 2012, após completados 35 anos de trabalho em uma única e mesma empresa.

No Bamerindus, de contínuo fui promovido a auxiliar de serviços, depois para encarregado de serviços, ainda para chefe de setor e após para gerente de divisão, gerente de departamento e gerente de desenvolvimento de produtos. Passei pelos departamentos de Cobrança, Cosseguro, Comissões, Desenvolvimento de Produtos e Marketing. Cheguei na carreira comercial já na era HSBC. Lá passei pelas funções de gerente de sucursal em Curitiba, depois gerente regional para o estado do Paraná e mais tarde para a região Sul do país. Conclui minha trajetória na empresa como “head comercial Brasil”, tendo tido a oportunidade de conhecer o país inteiro, de ponta a ponta.

Fiz muitos amigos, não só na Seguradora, mas também no Banco, afinal foram 35 anos de trabalho na mesma organização. Pertenci a uma geração de jovens que iniciaram a sua vida profissional no Bamerindus e que juntos cresceram, fazendo carreira na Instituição. Ainda hoje mantenho contato com grande parte destes amigos, pois tive a feliz iniciativa de, já há muitos anos, tomar a frente e organizar um grupo chamado DINOS (os “dinossauros” da Bamerindus Seguros). Temos até um banner com o símbolo deste grupo. Como cabeça deste grupo, convoco encontros a cada quatro meses, normalmente churrascos no clube de campo da antiga Associação Bamerindus (hoje Associação Brasil) ou no sindicato dos securitários, para matarmos saudades e colocarmos as conversas em dia, falando de tudo um pouco. Administro hoje o grupo dos DINOS no Whatsapp, onde trocamos ideias e mantemos vivo este sadio relacionamento. O grupo possui mais de 100 nomes e reúne entre 30 a 50 pessoas em cada encontro.

Aos amigos só tenho agradecimentos, todos deixaram boas marcas e aprendizados. Sinto saudades daqueles que já partiram para outra dimensão. Faço questão de citar um nome em especial: o Dr. Vilson Ribeiro de Andrade. Ele foi o meu tutor na área comercial e com ele aprendi muito, não apenas no aspecto profissional, mas principalmente como ser humano. Não vou arriscar citar mais nomes, para não me alongar e também para não cometer injustiça, podendo esquecer o nome de alguém.

Um fato marcante para mim é que eu vim de uma família muito pobre, meu pai era torneiro mecânico em uma metalúrgica e minha mãe dona de casa, que cuidava de 3 filhos homens, sendo eu o mais velho. Em 1977, quando comecei a trabalhar, eu ia e voltava a pé do trabalho todos os dias, pois não tinha recursos para pagar ônibus. Andava 3 quilômetros na ida pela manhã, mais 3 quilômetros na volta para casa na hora do almoço, outros 3 quilômetros no retorno do almoço ao trabalho e por fim, mais 3 quilômetros ao final do dia.

Eu estudava no Colégio José Guimarães, perto da Seguradora. Como na minha casa não tinha banheiro, mas somente a famosa “casinha” de madeira nos fundos do quintal, eu levava junto comigo uma toalha e tomava banho no chuveiro da Seguradora. Ao sair do trabalho, tomava “aquele” banho e ia para a aula “todo faceiro”. Para mim foi a realização de um sonho deixar de tomar banho de bacia e confesso que sentia muita falta do chuveiro nos finais de semana...

Aposentei-me em 2012, após 35 anos de trabalho dedicados a uma única e mesma organização, tendo sido 20 anos ao Bamerindus e 15 anos ao HSBC. Mas desde 2009 já havia descoberto em mim uma “nova” paixão, a de dar aulas. Comecei dando aulas na Escola Nacional de Seguros, no curso de corretores de seguros e logo depois no Centro Universitário Uninter, nos cursos de Direito, Administração, Contábeis e Secretariado Executivo. Continuo dando aulas ainda hoje nas duas instituições.

Além disto, dedico-me desde 2012 à advocacia. Eu havia concluído o curso de Direito em 1995 e o fiz pensando justamente na minha aposentadoria. Hoje sou um advogado autônomo, com atuação voltada para o direito securitário, civil, trabalhista e família.

Meus hobbys principais são o futebol (jogar entre amigos “veteranos” e assistir o Coxa no Alto da Glória), os passeios pelos parques de Curitiba nos finais de semana, as viagens de turismo e lazer nas férias e encontros com os filhos, amigos e familiares para o tradicional churrasco. Mas tudo isto só faz sentido se eu estiver bem acompanhado de minha querida esposa Sandra, fiel companheira de todas as horas, a quem amo muito e agradeço por estar sempre ao meu lado.

Acompanho de perto o trabalho da Apabam. Estou sempre envolvido com os assuntos que dizem respeito aos Bamerindianos. Faço parte também do Conselho da Associação Brasil. Ainda bem que temos pessoas abnegadas nas duas organizações, que defendem acima de tudo os interesses da classe, cedendo o seu precioso tempo, sem intenção de retorno financeiro ou de qualquer outra espécie. A estes amigos o nosso muito obrigado por esta dedicação. Continuem assim e contem comigo! Abraços.

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