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Depresso na terceira idade

15/12/2017

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O aumento da expectativa de vida das pessoas está deixando-as mais sujeitas a todas as doenças crônicas, dentre elas, a depressão. A depressão não tem causa única, ela é um transtorno de origem multifatorial, onde há participação de fatores biológicos e psicossociais. Um idoso pode apresentar o seu primeiro episódio de depressão depois dos 60 anos ou ter a recorrência de episódio depressivo prévio que já estava em remissão há tempos. Com relação aos fatores biológicos que podem levar à depressão no idoso, podemos listar a perda neuronal e diminuição dos neurotransmissores, fatores genéticos, doenças físicas, principalmente diabete, e o uso de outras medicações clínicas, como alguns anti-hipertensivos por exemplo. Com relação aos fatores psicossociais, entra a diminuição da renda nesta faixa etária após a aposentadoria, a modificação do papel social quando se aposenta, deixando de ser o provedor da família e às vezes até necessitando de ajuda dos filhos, o luto pela perda do cônjuge, familiares e amigos ou presença de alguma doença física mais incapacitante, como câncer, Parkinson ou até mesmo sequela de um AVC.

Os sintomas depressivos de um idoso são os mesmos encontrados na população mais jovem, ou seja, humor depressivo, diminuição do prazer ou interesse nas atividades cotidianas, aumento ou diminuição do apetite, aumento ou diminuição do sono, diminuição de energia, sentimentos de culpa e desesperança, prejuízo na concentração e na memória, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio. Uma particularidade dos idosos que acabamos percebendo na prática clínica é que o idoso não reclama muito de tristeza, ele apresenta mais perda de prazer nas atividades, ou seja, deixa de fazer coisas que antes fazia, como sair, fazer caminhadas, pescar, visitar os familiares, tem mais problemas de sono, queixam-se de falta de energia, de problemas de memória e dores difusas.

Não tem como evitar completamente o desenvolvimento da depressão, mas ter um estilo de vida saudável, com sono adequado, alimentação regulada, prática de atividade física e, principalmente na terceira idade, ter alguma atividade, hobby ou lazer, manter contato com familiares, acaba diminuindo as chances de desenvolver um episódio depressivo. O tratamento é feito com as medicações disponíveis no mercado. Nós temos hoje em dia diversos antidepressivos que são seguros para o uso idosos, principalmente porque eles usam diversas outras medicações, então existem medicações bem seguras que não tem efeitos colaterais nem contra indicações. A psicoterapia sempre tem um papel bem importante no tratamento da depressão e o ideal é que os dois ocorram conjuntamente.

O transtorno depressivo é um transtorno recorrente, ou seja, se alguém já teve algum episódio no passado, fez tratamento correto e teve remissão do quadro, ainda assim ele tem 50% de chance de ter um segundo episódio ao longo da vida. Se ela já teve dois episódios depressivos prévios, ela tem 70% de chances de ter o terceiro, e se ela já teve três episódios, tem 85% de chance ter um quarto episódio. Então ter tido um episódio prévio predispõe a pessoa a ter o próximo. Outras doenças crônicas também predispõem a desenvolver depressão, principalmente patologias que ocasionam dores crônicas, como câncer, diabete, Parkinson, AVC e infarto, entre outras.

A família tem um papel primordial no auxílio do tratamento do idoso, principalmente pelo apoio emocional, mas também ajudando o paciente a tomar a medicação corretamente, porque o paciente deprimido já não tem vontade de nada e geralmente acaba esquecendo de tomar as suas medicações, inclusive para as outras patologias.

Dra. Carolina Froehner, especialmente para a Apabam
Psiquiatra clínica e forense, Perita Judicial e Psicoterapeuta
(41) 3222-2575/ 99962-1006/ carolina@menteesaude.med.br

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