Grandes amizades nascidas em Bamerindus

10/11/2017

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Em 1929, o sr. Avelino Antônio Vieira fundou em Tomazina (PR), uma empresa bancária, e para isto associou-se a alguns amigos criando a Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada Banco Popular e Agrícola do Norte do Paraná (BPA). Como todos sabem, este foi o início do Banco Bamerindus, que até o ano de 1997 manteve-se entre as principais e maiores instituições bancárias da América do Sul, presente em centenas de cidades, reunindo milhares de profissionais.

Foram quase setenta anos de atividades de uma empresa de proporção continental. Muitos profissionais que iniciaram a sua carreira no Bamerindus aposentaram-se dentro da própria instituição, criando uma segunda família com os seus colegas de banco. Em homenagem a grandes amizades que nasceram nas unidades do Bamerindus, convidamos alguns de nossos associados para relatarem suas experiências, agora citando alguns dos grandes amigos derivados deste convívio. Abaixo relatos que remetem a uma janela do passado.

Nivaldo Migliavaca, Hlio Lacerda, Nilson da Silva, Ademir Bizinelli, Jos Carlos Garcia e Sebastio P. FranaAdemir Bizinelli, Curitiba (PR)

Iniciei minha carreira no Bamerindus no dia 02 de maio de 1968 e sai por aposentadoria em março de 2000. Comecei como ajudante na Ag. Campo Comprido, em Curitiba (PR), e exerci cargos nas agências Comendador Araújo e Novo Mundo, até ser transferido para a Ag. Centro Salvador. Lá assumi o cargo de Gerente Adjunto na Ag. Liberdade, e após este período, marcado por grandes amizades, retornei a Curitiba, na agência Seminário como Gerente Adjunto e posteriormente fui Gerente de Operações da Regional II (Agências da Região Metropolitana), que tinha como titular o Sr. Aroldo Martins. Em 1976 assumi a primeira Gerencia Geral na Ag. Araucária (PR) e na sequência as agências Campo Largo (PR), Uberaba (MG), Centro Manaus (AM), Cidade Industrial - Curitiba (PR) e Marechal Deodoro – Curitiba (PR). Quando o HSBC assumiu o Bamerindus, eu fui convidado para assumir a Gerência de Private Banking na Área Internacional, onde fiquei os últimos anos de minha carreira. As amizades foram muitas em todas as agências que passei e fica difícil apontar uma só, então quero citar a grande amizade ao nosso Grupo da Republica em Salvador: José Carlos Garcia (vindo de Curitiba), Nivaldo Migliavaca (gaúcho de Santo Antonio da Patrulha), Sebastião P. França (Santo Antonio da Platina), Nilson da Silva (Curitiba), Hélio Lacerda (Jataizinho), Iran Cardoso (Mineiro de Brumadinho) e Pedro Ivo Polak (São Mateus do Sul), e era justamente este último quem botava ordem nas bagunças da República. Éramos uma família, como irmãos e tínhamos no Pedro Ivo um paizão: ele já estava lá há muito tempo e dava apoio necessário aos novatos quando chegavam. Quero citar ainda o Dr. Henrique Padilha, que era o Diretor em Salvador, e sempre acolhia o Grupo em sua casa, principalmente nas datas festivas, como Páscoa e Natal. Como todos estavam longe de suas famílias, quando alguém tinha um problema, tinha a ajuda de todos e isso fez com que a amizade fosse mais forte. O Grupo estava sempre unido e todos participavam das baladas, futebol, praia, etc. Um fato muito importante para nosso grupo foi a conquista de Campeão de Futebol do Segundo Encontro Bamerindus, realizado aqui em Curitiba, no final de 1973, e do nosso Grupo da Republica eu, Garcia, Iran e Nivaldo fomos titulares da Seleção Baiana. Além disto, a nossa candidata foi eleita a Miss do encontro: imaginem a festa no ônibus rodando 2.400 Km. Atualmente ainda encontro alguns dos amigos, mas infelizmente com pouca frequência.

Antonio Segatel, Cascavel (PR)

Ingressei no Banco Bamerindus em abril de 1970, na cidade de Nova Aurora (PR). Permaneci naquela agência por quatro anos; depois fui transferido para a gerência regional de Cascavel (PR) e Lajes (SC). Em 1983, ocorreu a minha terceira transferência: desta vez para Curitiba (PR), na Matriz, para trabalhar no Departamento de Crédito Rural e Especiais, aonde permaneci até novembro de 1991. Foram muitas as grandes amizades que fiz no banco, e citar apenas uma é muito desconfortante. Entretanto, menciono a amizade com o Sr. Igindo Ferraz de Medeiros, pelas razões que citarei adiante. Primeiro por ter trabalhado com ele por vários anos na regional do banco, aqui em Cascavel. Eu cheguei, vindo de Nova Aurora pelas mãos do grande líder Antonio Zanini, em ago/74 para exercer o cargo-função de chefe de Setor Regional de Crédito Rural e ele chegou no ano de 75, como Gerente Regional. Os anos se seguiram, e em 78/79 ele foi transferido para a Regional de Pato Branco e eu, no ano de 1981, para a Regional de Lajes (SC), de forma que nos distanciamos profissionalmente, seguindo caminhos bem distintos dentro da Instituição. Contudo, após ter deixado o banco em nov/1991 e ir trabalhar no Paraguai, na indústria de esmagamento de soja Marangatu, em fev/1992, onde ele era o Diretor Financeiro/Industrial e eu Gerente da Área de Contratos de Grãos, justo levado por ele juntamente com vários outros colegas também ex-bamerindus e lá trabalhamos por quase 5 anos. Também pelo fato de, após deixarmos o trabalho no Paraguai, em razão da venda da Marangatu para a multinacional Cargill, nossa amizade ficou ainda mais forte, pois praticamente todo fim-de-semana nos reuníamos, na maioria das vezes no apartamento dele, para um café, para uma espécie de atualização dos acontecimentos da semana, dando ênfase aos assuntos ligados à economia e à política em geral. Ele, por sinal, assíduo leitor dos jornais “O Estado de Paulo” e “Folha de São Paulo”, e não menos do programa “Painel” da Globo News, enfim um cidadão altamente técnico e bem informado. Trabalhando no Paraguai, pernoitávamos de segunda a sexta num apartamento da empresa na cidade de Foz do Iguaçu e todos os dias fazíamos o trajeto, ida e volta, de Foz até a indústria. A ida de manhã era sempre tranquila pois não éramos molestados pelos vendedores de “bugigangas”. Contudo a volta era muito complicada, pois, além do trânsito infernal, congestionamento na ponte da amizade tinha os “meceteiros” pra nos incomodar. Num belo dia desses, voltando da indústria, um pivete aproximou-se do nosso veículo oferecendo uma maquineta de costura de mão dizendo ser da marca “SINGER” e o Sr. Igindo se interessou pelo produto mas, como já estava anoitecendo, não percebeu que o “treco” era uma grotesca falsificação de marca, pois, na verdade ao invés de ser da famosa marca “SINGER”, era na verdade de nome “SENGER”. Geralmente fazíamos aquele trajeto diário em três ou quatro colegas no carro da empresa. Ao percebermos, menos ele, a malandragem do “meceteiro” nós os demais que estávamos no carro ficamos quietos pra depois termos um motivo pra zoar dele, pois, ele sempre foi muito zoador por qualquer coisa/trapalhada que acontecia com os colegas da empresa, sempre muito divertido. Na segunda-feira da semana seguinte, logo de manhã na ida para a empresa, perguntamos o que a patroa e ele tinham achado da compra da tal “maquineta”. Ele não se aguentou e se entregou da mancada que tinha caído. Foi riso para o resto do ano. Tenho várias fotos com ele, vou enviar a mais recente por ocasião das homenagens prestadas ao Sr. Ibraim Fayad pelo Governo do Paraná e pela Prefeitura de Cascavel, em dez/2012. Da esquerda para a direita: Acyr Silveira, Antonio Zanini, Antônio Segatel, Igindo Ferraz de Medeiros e Sergio Reis. Infelizmente, um pouco antes do combinado, ele foi para o “andar de cima”. Em 19 de janeiro de 2016 faleceu, aos 76 anos de idade. Esteja onde estiver, meu grande amigo Igindo, sei que estás bem, por seu caráter, por sua integridade, um homem justo, um amigo de verdade para com todos que te conheceram e se tornaram seu amigo. Depois de meu pai, Fermino Segatel, fostes minha segunda fonte de inspiração e modelo de vida neste planeta Terra.

Arlindo Renato Toso, Curitiba (PR)

Durante o meu período bancário, passei por três importantes cidades: iniciei em Curitiba (PR), e posteriormente atuei em Salvador (BA) e São Paulo (SP), até retornar à capital paranaense, onde permaneci até o meu desligamento, em abril de 1986. A maior amizade que fiz no Bamerindus foi com o querido João Gilberto Possiede, que não foi apenas um colega bancário, mas também padrinho de casamento e Diretor da Bamerindus Seguradora. Ele foi o responsável pelo meu ingresso na Bamerindus Seguradora, em 1953 (à época Atalaia Cia. De Seguros). Ele como chefe e eu como sub-chefe do Departamento Incêndio, até o ano de 59. Há diversas histórias engraçadas envolvendo a nossa amizade, mas a lembrança do embarque de dois curitibanos no aeroporto Afonso Pena, em janeiro de 1978, a tira-colo do Sr. Hamilcar Pizzatto com destino a São Paulo, para enfrentar o desafio de gerir a Sucursal de São Paulo da Bamerindus Seguradora, até então considerada a verdadeira “Selva de Pedra do País”, é uma das mais marcantes. Trabalhamos juntos até abril/81; ele como Diretor, e eu como Gerente Técnico/Administrativo da Sucursal. Para a nossa alegria, sempre mantemos contato, até hoje! Eu, na Diretoria do Sincor (Sindicato dos Corretores de Seguros); ele, na Presidência do Sindiseg (Sindicato das Empresas de Seguros do Paraná e MT); bem como em atividades sociais, telefonemas e/ou em contatos pessoais na J.Malucelli Seguradora. Grande Amigo Possiede e sua queridíssima esposa D. Icilda (Que Deus a tenha), o que dizer dessa grande amizade que perdura sem mácula desde os idos de 1952; um grande e carinhoso abraço e votos para que possamos nos encontrar sempre, relembrando os bons momentos de nosso relacionamento e também das conquistas e sucessos em que “peleamos” juntos! Agradeço a Deus por tê-lo colocado na estrada da minha Vida!

Antonio José Sálvaro, Torres (RS)

Passei por diversas cidades durante a minha trajetória de Bamerindus: São Miguel do Iguaçu (PR), Medianeira (PR), Pelotas (RS), Caxias do Sul (RS), Porto Alegre (RS), Canoas (RS), Curitiba (PR) e Goiânia (GO). Por longo tempo viajei pelos estados de Goiás, Pará, Amazonas, Roraima, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Tocantins. Fiz inúmeras amizades verdadeiras. Tantas foram que receio em nomear uma apenas, pois corro o risco de não ser justo com quem não citarei. Mas houve amigos que viajaram para estarem no meu casamento. Houve colegas que me convidaram para ser testemunha de seu casamento e outros que foram testemunhas do meu, em decorrência da amizade verdadeira que sempre nos uniu. Citarei seis amigos (as) – em ordem alfabética, mas gostaria que todos, que um dia se sentiram meus amigos, ora sejam homenageados através deles: Cláudio dos Santos Pacheco (in memoriam), Gerson Rodrigues, o casal Jorge e Brunete Ohnesorge Hart, Marsinho Luis Susin e Pedro Delson Menck. Sem dúvida nos aproximamos graças à correção e a integridade com que desenvolvíamos a atividade profissional. Nossa vida particular sempre foi uma extensão da nossa vida profissional. A mesma idoneidade que permeava nossa profissão foi o alicerce de nossas amizades. Certamente houve muitas histórias engraçadas envolvendo estes amigos, contudo o que mais tenho lembrança é dos momentos em que fomos parceiros na execução de nossa atividade profissional, sempre buscando juntos a melhor solução para os problemas que nos rodeavam diariamente. Atualmente não nos vemos com tanta frequência assim. Mas com alguns deles, mantemos contato via redes sociais. Caros amigos... Agradeço imensamente à vida por ter proporcionado que compartilhássemos esse caminho juntos. Fui muito feliz ao seu lado, mesmo não tendo conseguido transparecer tão claramente isso. Desejo a todos que me ajudaram, de alguma forma, vida Longa e muita saúde para seguirmos em frente na caminhada de nos tornarmos seres mais evoluídos! Grande abraço no coração de cada um!

Argemiro de Paiva, Curitiba (PR)

Durante a minha trajetória bancária, atuei nas cidades de Terra Roxa (PR), Paranaguá (PR), Curitiba (PR) e algumas cidades da região metropolitana da capital paranaense. A maior amizade que fiz em todo este período foi com o meu querido Edson Luiz da Silva Ribas. Nos aproximamos, evidentemente, graças ao nosso vínculo com o Bamerindus e ao nosso trabalho, e ainda hoje me recordo de várias histórias nossas. Certa vez, jogando uma partida de futebol na AB, meu time contra o dele. Num lance ocasional chocamos canela contra canela, e passamos uma semana fazendo compressa com água quente e fria. Ele fala que eu sou canela de ferro, mas na verdade é ele o canela de ferro. Não tem como esquecer! Ainda hoje nos vemos com frequência, afinal somos compadre e conversamos semanalmente. Grande amigo! Foi por pouco que não chegamos lá, saudades das nossas lutas diárias em busca de melhores resultados, mas quis o destino mudar nossa trajetória para outro banco, que todos sabem no que deu. Hoje somos aposentados! Ainda com muitos sonhos, desejo a você saúde paz e muitas felicidades.

Cláudio Berçani, Curitiba (PR)

Comecei a trabalhar no banco em fevereiro de 1962, em Cianorte (PR). Como várias agências tinham duas assinaturas autorizadas e Cianorte três, quando o chefe de serviço ou o gerente saia em férias, eu era deslocado para assumir chefia de serviços ou gerência. Por conta disto, passei então em caráter temporário por Cruzeiro do Oeste (PR), Tapejara (PR), Ubiratã (PR), Mamborê (PR), Quinta do Sol (PR), Iporã (PR), Campo Mourão (PR), Maringá (PR), Londrina (PR) e Santa Cecília do Pavão (PR), e com um pouco mais de tempo por Umuarama (PR), Terra Boa (PR) e Engenheiro Beltrão (PR). Além destas cidades, passei por diversas localidades de outros estados, como Bahia, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Seria injustiça citar um ou outro nome: de contínuo à alta direção, sempre tive bom relacionamento, inclusive fui chamado de easy-going (pessoa de fácil comunicação), creio que seja pela humildade, franqueza e lealdade. Poderia contar uma pessoa que tive boa amizade (mas eu poderia citar mais de 50, no mínimo). Vou contar apenas um fato pitoresco: em Cianorte eu trabalhava numa agência de aviação, na época a Real Transportes Aéreos, que ficava ao lado da agência, e o José Aparecido Dário, o Cidão, era o chefe de serviços. Os clientes diziam: “Vamos ao Bamerindus, o banco do Cidão...”. Ele era muito querido e contava muitas piadas, o Sr. Tomaz Edison, o Sr. Zé e tantos outros gostavam muito de rir quando o Cidão contava algumas piadas em roda de amigos... Pois bem, todo dia ele ia na Real e me dizia: “Moleque, quando você vem trabalhar comigo?”. Ele falou tanto, que um dia eu disse: “Cidão não tenho estudo suficiente para isto, ainda estou no colégio”. Aí ele me surpreendeu e disse: “Conheço seu pai, é trabalhador e honesto. Você só precisa trabalhar, aprender a tocar sanfona e ser corinthiano”. Trabalhei muito, não aprendi a tocar sanfona e sou corinthiano para agradar o Cidão na época. Todo domingo ele me chamava para ouvir o jogo no bosque da igreja com radinho de pilha e uma cerveja quente. Fizemos uma boa amizade; tive muitas outras, mas não quero mencionar para não ser injusto com alguém que eu possa esquecer. Infelizmente não nos vemos mais, pois ele é falecido. Ainda assim eu deixarei um recado para este amigo: descanse em paz e que Deus o tenha... Para tantos outros amigos (inúmeros) não poderia ser diferente, pois andei por este Banco Brasil e mundo afora (várias viagens ao exterior para especialização). Como citar apenas um amigo? Impossível.

* Estes textos foram publicados originalmente em nossa jornal Fator A, edição 40, de novembro de 2017.

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